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Meus aprendizados no primeiro ano de formação

12/06/2019

Fernanda traz para a gente alguns aprendizados importantes que teve em seus primeiros momentos de atuação como psicóloga clínica. Venha conferir!


Olá, leitores da Revire!

Escrevo este texto com muita alegria para compartilhar o que eu aprendi no meu primeiro ano de formação e espero que meu relato seja proveitoso para uma boa reflexão sobre o fazer psicologia, especialmente para aqueles que estão iniciando suas carreiras ou pretendem futuramente atuar em uma clínica.

Certamente este texto não contemplará com exatidão todas as nuances vivenciadas por mim. Colocarei os aprendizados que considero mais relevantes e possíveis de serem transmitidos aqui pelo blog. Mas, acredite, meu primeiro ano de formação foi surpreendente no quesito aprendizado!

Elencarei a seguir três importantes aprendizados.

Então vamos lá!

A graduação

Faculdade não nos prepara para o mercado de trabalho em psicologia

Passamos cinco anos na graduação estudando sobre teorias e técnicas psicológicas, cumprimos o período de estágio e pegamos o nosso diploma. Focamos o curso inteiro em questões voltadas para a prática de atuação: entendimento sobre escuta ativa, anamnese, demanda de sofrimento, psicopatologias… e por aí vai.

Mas quanto à inserção no mercado, qual caminho a seguir? O que fazer para apresentar-se como psicólogo? Empreendedorismo de carreira?

No máximo uma disciplina isolada e alguns encontros para falar sobre o assunto, mas nada que nos dê de fato a visão da realidade do mercado.

O foco da faculdade é a carreira acadêmica, e, por esse motivo, se você não pretende seguir este caminho, aja com proatividade e busque estudar sobre empreendedorismo.

Do contrário, você será apenas mais um com o diploma carregando frustrações e falando mal da profissão por não ter conseguido a colocação no mercado que desejava.

TEORIAS e TÉCNICAS não bastam!

Saiba qual é o seu foco

A precipitação pode nos afastar do nosso ideal de carreira

Assim que me formei, participei de um processo seletivo para realizar um trabalho que visava auxiliar estudantes no campo de estágio. A vaga não era para atuar como psicóloga, mas eu pensei a princípio que poderia ser um bom caminho para ganhar visibilidade com um público que eu pensava em trabalhar futuramente. Quando ocorreu o processo, eu havia acabado de sublocar alguns turnos em um consultório e começaria a atender na semana seguinte.

Estava com uma reserva financeira mínima e pensei de cara que poderia conciliar os atendimentos com essa outra atividade, porém respirei fundo e fui analisar o tempo que precisaria me dedicar e se os valores recebidos compensariam todo o meu esforço.

Hoje vendo tudo que me aconteceu no primeiro ano de formação, tenho a certeza de que decidi corretamente em não aceitar a função e me dedicar integralmente aos atendimentos clínicos, mas essa certeza só veio depois dos acontecimentos futuros; na época eu não tinha como saber exatamente.

Acredito firmemente que saber qual era o meu ideal de trabalho e como queria que fossem os meus dias me deram clareza suficiente para não agir de forma precipitada.

Vi muitos de meus colegas de faculdade perdidos nesse início com muitas inseguranças e sem saber ao certo o que fazer, para onde ir e alguns deles aceitando qualquer tipo de proposta que aparecia, pois a vontade de começar e a pressão que existe nesse momento inicial é muito grande e pode nos colocar em uma posição ou em um lugar onde teremos dificuldade posteriormente de nos desvincular.

Hoje observo que, se não houver um bom planejamento, nossos sonhos e metas poderão ficar cada vez mais distantes.

Pare e pense um pouco. Visualize como você deseja que seja o seu dia a dia na profissão.

Acredite que isso fará diferença na hora de dizer SIM ou NÃO para as oportunidades que surgirão no seu caminho. A vontade de crescer na profissão não pode nos tirar o sossego.

Produtividade e descanso

Existe uma GRANDE diferença entre se esforçar e se desgastar!

Esse aprendizado ainda está em processo no meu dia a dia (confesso!). Uma das coisas mais difíceis no primeiro ano foi relaxar e tirar o foco do trabalho. Penso que, no meu caso específico, vivenciei muitas fases em um curto espaço de tempo e, embora já com certa maturidade pela minha vivência anterior à psicologia, isso não deixou de ser um desafio e tanto.

Gerenciar uma carreira é de fato muito complexo e, se você for um psicólogo autônomo, saiba que isso se multiplicará, porém o desgaste em nenhum momento será benéfico.

Não confunda tempo de trabalho com produtividade!

Me vi várias vezes esgotada por querer fazer tudo de uma só vez, tive de admitir que não estava respeitando o meu tempo de pausas para descanso e lazer. Fui honesta e busquei ajuda! Observei que minha agenda não estava me favorecendo e que o esgotamento estava a caminho caso eu não realizasse as mudanças necessárias.

Repito: A vontade de crescer na profissão não pode nos tirar o sossego!

Isso é comum a todas as profissões, mas compreendo que em psicologia é de fato uma exigência maior, especialmente se a atuação for na clínica. Nesse caso, redobre sua atenção sobre priorizar o tempo de descanso.

Em outro texto pretendo voltar ao assunto de forma mais aprofundada, pois isso também faz parte das nossas atitudes e ações que nos promovam um melhor desempenho em nossas carreiras.

Adoraria saber como foi o primeiro ano de formação de vocês e o que aprenderam!

Que tal deixar nos comentários três lições que marcaram seu início de carreira?

Abração e até o próximo texto! 🙂

Fernanda Marreiro

Fernanda Marreiro

Psicóloga Clínica

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