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O brincar na psicoterapia infantil

26/05/2019

A importância do brincar na psicoterapia infantil e como psicólogos podem aprimorar essa ação tão significativa para o processo clínico. Vem conferir abaixo.


Já dizia a psicanalista Winnicott: “É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fruem sua liberdade de criação”. E ainda digo mais: de expressão também!

O brincar se constitui como algo importante para a criança, mas na psicoterapia infantil isso ainda é algo mais sério. É através desse comportamento que conseguimos diversos benefícios.

O autor Rodrigues (2009) escreve que o brincar teve início no período da Idade Média, onde enfeites de estantes foram despertando interesse nas crianças, que ao manusear esses objetos descobriram o mundo do brincar.

Antigamente, as brincadeiras englobavam adultos e crianças, paulatinamente, e que com o passar dos séculos foram se transformando numa especialidade das crianças, tornando-se uma espécie de mediadoras entre a criança e o mundo.

Se engana quem pensa que o brincar não significa nada.

Se as crianças são participantes ativas no processo terapêutico, por que não utilizarmos uma linguagem tão reforçadora que nos permite estabelecer vinculo, avaliar, conhecer e intervir, de forma mais efetiva?!

Dentre os diversos benefícios que o brincar exercem dentro do campo da psicoterapia infantil, encontra-se:

Estabelecimento de vínculo

Imagine que seus pais te levam para um lugar onde você não conhece essa pessoa e não consegue entender bem porquê precisa falar sobre suas emoções com aquela pessoa não faz parte do seu cotidiano, aquela pessoa estranha que você nunca viu.

De certa maneira você não vai sentir confiança nessa pessoa, não é mesmo? Assim como na prática com os adultos, a aliança terapêutica é imprescindível no processo terapêutico com as crianças. Isso inclui pensar em acolhimento, empatia, atenção e flexibilidade.

Acessar conteúdos internos

Visto que a maioria das crianças ainda não possuem linguagem verbal bem elaborada, através do brincar podemos acessar conteúdo ocultos como sentimentos, sonhos, pensamentos e dentre outros dos quais não se falam. Então a partir desse comportamento que parece simples, o psicólogo realiza suas observações com bastante atenção. Atenção às palavras, aos comportamentos não verbais, às escolhas dos brinquedos e etc.

Ensinar habilidades do setting terapêutico para a vida fora dele:
Sim! As crianças aprender muito brincando e no aqui-agora.

Na psicoterapia infantil é de suma importância ensinar habilidades que ela vai levar para fora do consultório.

Diversos treinamentos podem ser realizados na sessão, como por exemplo o de relaxamento, habilidades sociais, como lidar com algumas emoções desagradáveis, dentre outros. Após aprender esses novos comportamentos, através do brincar, as crianças são incentivadas a fazer o mesmo fora das sessões.

O brincar engloba diversas possibilidades.

Jogos, desenhos, fantoches com narrações de histórias, recortes dentre outros. Através do olhar diferenciado do psicoterapeuta, todos auxiliam na condução do processo.

Lembre-se: não é o brincar por brincar.

Isso permite pensar que é importante levar em consideração alguns aspectos antes de escolher a brincadeira. Por exemplo: o nível cognitivo da criança, idade, contexto sociocultural, suas preferências e gostos.

RODRIGUES, Luzia Maria. A Criança e o Brincar. 2009. 46p. Monografia (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Disponível em: Acesso em: 02 mai 2019

Fernanda Bittencourt

Fernanda Bittencourt

Psicóloga Clínica

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