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Público Alvo: Guia para encontrar sua galera

19/06/2019

Realizar escolhas profissionais não costuma ser uma tarefa fácil. Definir o público alvo que vamos direcionar os nossos esforços e estudos também pode ser uma dificuldade para nós psicólogos que gostamos de tantos temas e públicos. Nesse post vamos pensar porque é interessante ter um público e como fazer essa escolha.


“Ana Cecília, eu adoro atender todos os públicos e quero ajudar na vida de diversas pessoas. Eu preciso realmente ter um foco maior mesmo acreditando que a psicologia deve alcançar a todos?”

Essa é uma questão frequente na mentoria. Sempre que chegamos na parte do público alvo, os clientes dão uma leve travada. Por que é tão difícil para a gente definir qual estratégia vamos focar naquele momento? E por que acreditamos que definindo um público significa que jamais poderemos atender outro? Vamos pensar juntos sobre tudo isso.

Dentro do processo de mentoria, temos uma etapa bem importante chamada Posicionamento. Nessa etapa, estruturamos quem é o público que você vai focar, como você vai se diferenciar dos demais profissionais ressaltando suas características únicas e como colocar tudo isso na sua comunicação para gerar mais coerência.

Trabalhando bem o posicionamento você consegue ser relevante e ser lembrado para um determinado contexto com maior facilidade. Significa ter um espaço especial na mente das pessoas específicas que você se identifica, abrindo assim mais oportunidades para sua carreira.

A ideia é que você não seja visto como um faz tudo. Afinal, se você tenta ser significativo para todo mundo, acaba não sendo significativo para ninguém. Sua mensagem fica genérica, sem graça e acaba não agradando fortemente ninguém.

Então se você ainda está quebrando a cabeça para definir o seu público, leia este conteúdo até o final, pois alguns insights valiosos podem surgir.

O que é um público alvo?

Este é um termo bem conhecido no mundo do marketing. É uma definição social, econômica, demográfica das pessoas que vão consumir seu produto ou serviços. Costuma ser uma das primeiras etapas para qualquer ação de marketing.

Em outras palavras: é aquele perfil de cliente ideal que você ama atender/estudar sobre. É um grupo de pessoas que tem certas características que combinam com o que você quer mudar no mundo.

Você pode ser mais específico ainda e estabelecer as demandas que você deseja trabalhar também, mas nesse post vou focar mais no público alvo.

Para encontrar o seu público alvo é preciso levar em consideração: seu nível de paixão, se as pessoas pagariam (demanda) e o quanto de conhecimento e segurança você já tem por esse público.

Meu exemplo:

Na minha família, sempre fomos mais mulheres. Estive sempre rodeada de muitas mulheres. Quando fui crescendo vi diversas notícias e assuntos sobre mulheres em relacionamentos abusivos e passando por algum constrangimento em diversos âmbitos. Eu também sou mulher e sei dos desafios específicos que passamos. Tudo isso me sensibiliza e tenho um desejo muito forte de contribuir em suas vidas.

Pensei em tudo isso e defini que na clínica minha comunicação seria toda voltada para as mulheres. Veja os pontos que levei em consideração:

  1. Me sinto bem com esse público
  2. Suas dores me mobilizam
  3. Entendo suas dificuldades e sei me comunicar bem com esse público
  4. Tenho voltado meus estudos para esse tipo de temática

Foi uma escolha “fácil”, pois eu já sabia que não tinha tanto interesse em atender crianças e adolescentes desde a graduação. Mas tive um paciente homem em especial que me ajudou a definir que me sinto muito mais à vontade com mulheres. Isso foi bem decisivo para minha escolha. Foi necessário auto-observação e muita sinceridade comigo mesma para analisar e definir tudo isso.

Agora vamos pensar de uma maneira mais ampla. Você já parou para pensar nos tipos de pessoas que passam por nós em nossos serviços, nas redes sociais? Pois aqui trago um resumo destes 3 tipos de consumidores:

  • Grupo 1: Pessoas que precisam do seu serviço e sabem e já estão procurando, pedindo indicações e buscando em redes sociais.
  • Grupo 2: Pessoas que precisam dos seus serviços, mas estão procrastinando… sabem que devem procurar, mas ainda não estão 100% prontas para se abrir com uma outra pessoa sobre suas dores.
  • Grupo 3: Pessoas que precisam dos seus serviços, mas nem sabem disso ainda. Normalmente, acham que seu incômodo é passageiro ou que é forte o suficiente para resolver sozinho. Ou mesmo se acomodaram com a situação e acham ela totalmente normal, afinal todo mundo tem problemas…

Se você conseguir definir bem o seu público alvo, vai atingir mais facilmente o grupo 1 e 2, justamente aqueles que precisa daquilo que você oferece e que estão mais facilmente propensos a reconhecer o seu trabalho (inclusive financeiramente falando).

Imagina só, quando você opta por atender tudo e todos, existe naturalmente um maior gasto de energia aí. Tanto nos bastidores (estudos) quanto na sua divulgação (online ou off-line).

Vai ser preciso mais ações e comunicação para que o público crie conexão e confiança em você.

E nessa jornada o pior pode acontecer: uma sensação de desespero pode se instalar por não conseguir dar conta de tantos temas e ações possíveis.

Benefícios de ter um público alvo bem definido

Para esclarecer tudo isso, veja a seguir alguns benefícios de escolher um público específico:

  • Facilita o foco nos estudos. É mais rápido você virar especialista em um determinado assunto/público
  • Fica mais rápido o processo de virar autoridade. Alguém que é reconhecido por ser “A pessoa” em determinados assuntos.
  • Você cultiva dentro de si uma sensação boa de saber por onde caminhar, quais estratégias vai implementar.
  • Chamar atenção das pessoas com mais potencia
  • Empatia, Conexão e confiança é facilitada com seu público
  • Localizar o seu público com maior precisão e facilidade (seja no off-line como no online)
  • Maior chance de a pessoa se interessar pelos seus serviços
  • Mais pessoas dispostas a pagar um valor diferenciado por compreender que somos a escolha certa para aquela necessidade/contexto

Ou seja, tudo fica mais fluido e simplificado. E ao mesmo tempo com resultados que podem ser mais potentes.

Como descobrir o seu público ideal?

Temos diversas possibilidades: crianças, adolescentes, adultos jovens, homens, mulheres, casais, famílias, pais, idosos, mães, gestantes. Se tiver outros que você está se lembrando, pode adiciona na lista.

Mas podemos definir sem tanta pressão. Reflita sobre essas questões. Você pode até responder sem muito filtro e ver o que saí dessas respostas:

  • Quem é o grupo de pessoas que tem interesses e dores em comum que você poderia ajudar? Quem é o público ideal para você? Quem você gostaria de ter em maior quantidade?
  • Quais são os temas que mais chamam sua atenção? Esses temas estão mais presentes na vida de qual público?
  • Faça uma lista de públicos que você mais se identifica colocando uma nota de 1 a 10 (sendo 10 uma nota que se refere ao grau de paixão que você sente). E aí? Quais foram aqueles que tiveram maior nota? Você se vê trabalhando com este público? Já analisou em qual ciclo de vida esse público está? São questões que te mobilizam?
  • Esse público tem demanda? Pagaria pelos seus serviços?
  • Escolha 1 ou 2 para ser o seu foco na sua divulgação.

Depois que você define bem quem é essa galera, você precisa fazer algumas pesquisas e hipóteses. É hora de mergulhar na cabeça dessas pessoas. Aliás, dessa pessoa. Pois aqui é o momento de criar a sua PERSONA ou AVATAR.

Persona/Avatar

Persona é a representação do seu cliente ideal. Um personagem que pode ser real ou não, mas que representa exatamente aquele perfil de pessoa que você deseja focar.

Por que precisamos criar a nossa persona? É muito mais fácil criar um produto ou serviço para uma pessoa específica do que pensando em um grupão de pessoas. Por isso, definimos com riqueza de detalhes quem é essa pessoa ideal. Faz sentido?

Então a ideia aqui é que você possa pensar em um personagem ou mesmo algum cliente que você já teve contato e que foi muito bacana o acompanhamento. Caso você precise imaginar um personagem e uma história, procure pensar em alguém que poderia mesmo existir, que poderia mesmo aparecer no seu consultório, por exemplo.

Agora é a hora do exercício! Coloque no papel aspectos como: Seu nome, idade, estado civil, cidade, renda, sentimentos, medos, do que gosta, do que não gosta, estilo de vida, rotina, sonhos, necessidades, incômodos, hábitos de compra.

Mesmo que você não tenha certeza, pois qualquer tipo de pessoa pode chegar no seu consultório, imagine como você gostaria que fosse essa pessoa. E como você imagina que ela seja.

São realmente suposições, mas vai por mim… se você fizer com uma riqueza de detalhes e utilizar estas informações na sua divulgação, é muito capaz dessa pessoa bem específica chegar até você de fato.

Dúvidas frequentes

  • Se eu estabeleço um público específico para minhas redes sociais, então não posso atender mais nenhum outro tipo de demanda/público no consultório?

Você pode sim atender outros públicos e demandas. A sua estratégia é apenas no nível de divulgação e claro de foco nos estudos também, mas se for do seu desejo atender outras demandas e se você se sente preparado para isso, tudo certo. Lembre-se apenas de deixar mais claro na sua comunicação o seu grande foco.

  • É errado excluir certos grupos de pessoas. A psicologia deveria ser para todos…

Em um nível macro, com certeza. A psicologia deveria chegar a todos em suas mais diversas áreas. Mas pensado no nível micro (do profissional) você precisa se escutar primeiro. Por exemplo: atender crianças faz sentido com o seu estilo e com a dinâmica que deseja para o consultório? Tudo bem lidar com os pais ou responsáveis? Você sente que isso é algo que ressoa com a sua história de vida também?

Então está ótimo, mas se não faz tanto sentido assim você não deve colocar esse público como opção apenas pelo fato de que devemos atender a todos, compreende?

Pensa bem, como você vai fazer um trabalho bacana se não se identifica? Como você vai passar horas estudando sobre vários casos, se não faz sentido por aí? Como ser referência nessas condições?

  • Será que isso não vai me limitar? Posso perder oportunidades tendo um foco tão específico.

Você não está se limitando. Está na verdade se conectando com as “pessoas certas”.

A gente nunca agrada a todos… E mesmo que você goste de vários temas e públicos, sempre tem um ou dois que te chama mais atenção ou que se conecta mais com as suas próprias vivências. Por que não dar foco nisso?

Um dos nossos grandes medos é achar que estamos perdendo oportunidades nos restringindo com um público específico. Na realidade, se focarmos em ser “o melhor” em determinado contexto, estaremos na mente do nosso público.

Ou seja: foque em ser excelente e se comunicar com as pessoas certas que vão reconhecer o seu trabalho.

  • E se nada der certo? E se o meu público não se conectar?

Temos muito medo de não agradar. Ou que as pessoas pensem algo sobre nós que não é o que condiz com a realidade. Nesse ponto, é preciso aceitar quem somos, com erros e defeitos… inclusive, um defeito pode ser justamente aquilo que nos torna únicos. Depende da forma como você aborda esse tema e inclui ele em sua comunicação.

Para se conectar é sim preciso fazer um estudo mais aprofundado, e se você tiver precisando de uma mãozinha com isso, temos a mentoria e o curso sobre divulgação do psicólogo que você pode realizar.

  • E se eu quiser mudar?

Mude, sem problemas. Seu público alvo não é um casamento que precisa durar a vida inteira. Existem momentos em nossa vida que um certo público ou tema nos mobilizam muito mais. O posicionamento não é algo que não pode ser mudado, porém é preciso apostar todas as fichas por um determinado tempo (diria alguns meses) para realmente tirar a prova do que faz sentido e do que traz resultados.

Reflita se você realmente já testou? Por quanto tempo você testou? Deu tempo de perceber os resultados? Como você avaliou os resultados? Quais foram as métricas?

Fecho esse conteúdo afirmando algo que aprendi nessa trajetória empreendedora: Empatia e conexão são as palavras de ordem aqui. Não apenas dentro do processo terapêutico, mas também na hora do nosso planejamento de ações nos bastidores.


Fez sentido? Compartilha com um colega que pode estar meio perdido com esse tema 🙂

Ana Cecília Coelho

Ana Cecília Coelho

Psicóloga Clínica

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