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Quero realmente ser Psicoterapeuta de crianças?

23/07/2018

A seguir confira, o artigo da Tamara Maia (psicóloga clínica infantil) sobre quatro questões que não ouvimos no dia a dia, mas que são essenciais para os profissionais que pretende atuar na clínica com crianças.


  1. Sobre o vínculo com a família: Não somos Psicoterapeutas Familiares. Mas não podemos esquecer que trabalhar com crianças é trabalhar também com as suas famílias.

A família da criança que vamos atender é a principal influência sobre a vida dela. Não podemos desassociar a criança da sua família durante a nossa proposta de atendimento. Muito pelo contrário, iremos fortalecer e encará-los como parte fundamental do processo de Psicoterapia.

Inicialmente o nosso contato já começa por intermédio dos pais ou responsáveis diretos da criança (é possível que a criança seja criada pelos avós, por tios, enfim, por isso por vezes utilizo o termo “cuidadores” ou “responsáveis”).

São esses responsáveis que marcam a primeira sessão por entenderem que algo não vai bem em relação ao desenvolvimento da criança.

Iniciamos com eles o nosso contato através da entrevista inicial. Nesse momento, vamos iniciar a nossa compreensão sobre a queixa inicial. E também de outros fatores relacionados ao crescimento da criança, vinculado dados passados ao momento atual da vida dessa criança e sua família.

Esses responsáveis precisam arcar financeiramente com as sessões, ter o compromisso de levar a criança até o nosso local de trabalho, ajustarem a logística para que seja viável o atendimento (que geralmente inicia-se sendo uma ou duas vezes na semana) e precisam também participar do processo.

Já ficou aqui claro que se não há um vínculo positivo com esses responsáveis o processo não irá “engatar”.

  1. Sobre o mito das crianças fofas.

Engana-se quem pensa que as crianças que chagam ao nosso consultório são como aquelas dos filmes e novelas: Risonhas, meigas, comportadas. Digam adeus ao mito das crianças fofinhas!

Crianças são espontâneas, representam através do seu corpo e movimentos os seus estados internos. Crianças por vezes ainda não se deram conta de certas regras sociais.

Crianças podem sim se apresentarem em certos momentos como fofas, meigas, mas também podem nos desafiar, serem agressivas, contrariadoras e nós precisamos acolhê-las da mesma forma, com todo empenho, comprometimento e sem rótulos.

  1. Sobre o estranhamento em relação ao uso dos brinquedos em terapia: “O meu filho vai brincar com o Psicólogo? Isso é certo?”

Sim, as crianças brincam na terapia infantil, predominantemente nós vamos utilizar recursos lúdicos e não conversar!

Essa questão precisa estar clara tanto para o profissional, como para os pais. A linguagem verbal, a capacidade de refletir sobre eventos passados e capacidade para se manter em um diálogo, são aspectos conquistados com o amadurecimento da criança.

Por isso não espere que a criança sente no consultório e passe a sessão conversando sobre o que vem acontecendo na sua vida que estaria causando algum tipo de desconforto.

Outro detalhe, o brincar é algo fundamental para as crianças, como já dizia o Psicanalista Winnicott: “A crianças joga (brinca) para expressar agressão, adquirir experiência, controlar ansiedades, estabelecer contatos sociais como integração da personalidade e por prazer”.

Claro que as conversas são bem-vindas e não serão excluídas ou negadas. Não interpretem esse tópico como uma aversão ao diálogo entre terapeuta e mini paciente, mas sim como afirmação sobre o lugar central do brincar na terapia infantil.

  1. Sobre o nosso vínculo com a criança como sendo promotor das mudanças esperadas através do processo.

Não adianta ter um mini versão da Disney no seu consultório se você não busca cativar verdadeiramente e genuinamente os seus pacientes.

Nessas horas até falta palavras que descrevam, vejo esse ponto como sendo da esfera do sentir. A gente sente vontade de estar com crianças, de ouvir o que elas têm a nos dizer, a gente se sente bem sentando no chão ou rodopiando no nosso consultório com elas, a gente vibra com a família quando percebe avanços e vibra também no momento de uma alta com sucesso.

A gente busca leituras que possam complementar a nossa visão sobre crianças, busca leituras específicas para determinados casos novos, busca informações de outros profissionais que também atuam como crianças.

Se inventaram um nome específico para isso eu não sei, mas gosto de chamar de vocação e de amor por esse trabalho com os pequenos.

Tamara Maia – Psicóloga de crianças e adolescentes

@psicologiadainfancia

Ana Cecília Coelho

Ana Cecília Coelho

Psicóloga Clínica

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