Definindo seu nicho/público com a visão do marketing consciente

Toda nossa comunicação é um convite para o outro saber quem somos, o que fazemos e analisar se ele se identifica com nosso jeito de apresentar nossa metodologia. É como se fosse um processo de flerte, namoro e casamento.

É por conta disso que ter um foco na nossa comunicação ajuda muito que todo esse processo se desenrole de maneira mais estratégica. Mas antes de falar especificamente do público, considero importante entendermos algumas diferenças.

Diferença entre público, nicho e persona

Nicho se trata de uma segmentação de um mercado. O público já é mais focado em determinar características demográficas e socioeconômicas. Ou seja, é um grupo de pessoas mais específico ainda que no nicho. Persona é um personagem que representa o seu cliente ideal. É o processo de você criar uma história onde o foco é no personagem que se enquadra exatamente no perfil que você gostaria de atender em maior quantidade.

Trago aqui um exemplo resumido para que você compreenda melhor. Para nutrição, pessoas que buscam emagrecimento é um nicho. Perceba que aqui tem muito mais a ver com um tema central do que o público em si. O público poderia ser: Jovens de 22 a 30 anos que moram em Fortaleza e que possuem renda mensal de aproximadamente 3.000.

A persona poderia ser Maria, 25 anos. Estuda e trabalha. Por conta da falta de tempo e organização, ela não tem conseguido manter uma rotina saudável e isso a incomoda muito pois aumentou de peso nos últimos meses de forma muita acelerada e isso fez ela buscar uma nutricionista.

Trago essa diferença para justificar que vou tratar aqui do público por compreender que ele também tem a ver com uma decisão de nicho ou de demanda central. Então ao longo desse conteúdo sempre que eu falar de público, estou falando indiretamente de nicho também.

O termo persona não será usado, pois dentro da minha experiência como Mentora, considero que esse termo mais atrapalha do que ajuda e vou explicar melhor o porquê disso.

Como funciona o processo de escolher um público?

Existem caminhos para tomar essa decisão. No marketing tradicional, um deles é definir os dados demográficos e outras informações mais “técnicas” junto da história da persona. Já trabalhei um bom tempo com essa linha de raciocínio e hoje vejo que ela trazia nas minhas clientes alguns pontos negativos como:

  • Medo em nomear uma persona por ser super específico e ficar aquele medo de estar excluindo outras oportunidades
  • Sensação de que definindo esse público e persona, a pessoa teria que estampar em sua comunicação essa novidade, falando de maneira direta sobre quem iria atender
  • Imaginar que não viriam mais pessoas com outro perfil, por ter deixado tão escancarado essa decisão

Não quero gerar esse tipo de sentimento ou pensamento em você e quero ir além, pois acredito que com a visão do marketing consciente, conseguirmos tomar essa decisão de forma muito mais profunda e assertiva. Digo isso com muita confiança, pois foi o meu processo mais recente.

Antes falava especificamente para Psicólogas e tinha desenhado 2 a 3 personas, mas com o tempo fui vendo que queria e poderia abarcar outras profissionais autônomas, pois a metodologia do meu trabalho conseguia comportar e auxiliar elas também.

Esse processo poderia ter sido bem mais difícil se eu não tivesse descoberto a visão do marketing consciente e do slow marketing. De maneira mais tranquila, consegui definir que quero ser reconhecida pelo meu trabalho, pelos temas centrais que eu trago e não por um público mega específico. E é isso, o nosso nicho e nossas escolhas vão evoluindo à medida que vamos evoluindo também.

Nas reflexões abaixo vou trazer o ponto de partida mais importante para a tomada dessa decisão e também algumas perguntas essenciais para te ajudar.

O ponto de partida: Você

Sim, você mesma. A pessoa mais importante do seu negócio. A pessoa que toma todas as decisões e que idealiza e monta todos os serviços e projetos. Nosso negócio é parte de quem somos então não teria outra forma de começar esse processo se não por nós mesmas.

Então o primeiro passo é ter uma conversa sincera consigo e refletir:

  • Quem sou? Que habilidades eu tenho?
  • O que eu tenho para trocar com as pessoas? O que trago na minha bagagem de vida?
  • Que temas me envolvem? Que desafios me instigam? O que eu já superei ou estou superando na minha caminhada?
  • Que lugar eu quero ocupar no mercado? Quais são os meus incômodos que percebo quando olho para o mercado que atuo?

Pode parecer um tanto abstrato tudo isso, mas a resposta dessas perguntas contém pistas do caminho a seguir.

Outras estratégias: Olhando para fora

O marketing consciente trás que precisamos olhar para o todo, então depois de olhar para si, agora é hora de olhar mais para fora. Reflita:

  • Com as pistas que colhi das reflexões acima que público faz sentido comigo e com minha história?
  • Em que momento de vida ele está? Quais são seus desafios?
  • Quais seriam os temas centrais que chamariam a atenção desse público?
  • Onde estão? Quais são seus interesses?

Para concluirmos, está mais do que claro o quão importante é olhar para essa temática e fazer algumas definições. São elas que vão ajudar a nortear toda a nossa comunicação e decisões dentro do nosso negócio. Deixo no canal do telegram mais reflexões e uma atividade para ajudar a colocar tudo isso em prática.

Façam bom proveito e depois me conta o que achou.

Ana Cecília Coelho

Ana Cecília Coelho

Mentora e psicóloga
Romae