Público: Eu preciso mesmo definir?

Realizar certas escolhas profissionais não costuma ser uma tarefa fácil. Definir com quem desejamos trabalhar pode ser uma delas. Nesse artigo, vamos refletir sobre a importância de definir um público e os primeiros passos para fazer essa escolha.


Dentro do processo de mentoria, temos uma etapa bem importante chamada Posicionamento. Nessa etapa, estruturamos quem é o público que você vai focar, como você vai se diferenciar dos demais profissionais ressaltando suas características únicas e como colocar tudo isso na sua comunicação para gerar mais coerência.

Quando chegamos na parte do público, as clientes costumam dar uma leve travada. Parece que fazer essa escolha não é nada fácil para grande parte de nós. Mas existem muitas vantagens em fazer essa definição e ela pode ser mais leve do que você imagina.

O que é um público?

Este é um termo bem conhecido no mundo do marketing tradicional. É uma definição social, econômica, demográfica das pessoas que vão consumir seu produto ou serviços. Costuma ser uma das primeiras etapas para qualquer ação de marketing.

Em outras palavras: é aquele perfil de cliente “ideal” que você ama servir/estudar sobre. É um grupo de pessoas que tem certas características que te interessa. Você pode ser mais específico ainda e estabelecer as demandas que você deseja trabalhar também, mas nesse post vou focar mais no público.

Para você compreender melhor, veja o meu exemplo:

Na minha família, sempre fomos mais mulheres. Estive sempre rodeada de muitas mulheres. Ao longo dos anos, sempre me deparei com mulheres cheias de potencial, mas que muitas vezes se sentiam inseguras, com medo de dar mais um passo, principalmente no âmbito profissional. Tudo isso me sensibiliza e tenho um desejo muito forte de contribuir na vida delas.

Pensei em tudo isso e defini que aqui na Revire a minha comunicação seria voltada para as mulheres. Veja os pontos que levei em consideração:

  1. Me sinto bem com esse público
  2. Suas dores me mobilizam
  3. Entendo suas dificuldades e sei me comunicar bem com esse público
  4. Tenho voltado meus estudos para esse tipo de temática

Foi uma escolha “fácil”, pois eu já sabia o que eu me identificava, mas ainda sim foi necessário auto-observação e muita sinceridade comigo mesma para analisar e definir tudo isso.

Agora vamos pensar de uma maneira mais ampla. Você já parou para pensar nos tipos de pessoas que passam por nós em nossos serviços, nas redes sociais? Pois aqui trago um resumo destes 3 tipos de consumidores:

  • Grupo 1: Pessoas que precisam do auxílio com uma determinada questão e já estão procurando e fazendo suas pesquisas, pedindo indicações e buscando em redes sociais.
  • Grupo 2: Pessoas que precisam de auxílio com uma determinada questão, mas ainda estão meio na dúvida… sabem que devem procurar, mas ainda não estão 100% prontas para se abrir com uma outra pessoa sobre suas dores.
  • Grupo 3: Pessoas que precisam de auxílio com uma determinada questão, mas nem sabem disso ainda. Normalmente, acham que seu incômodo é passageiro ou que não precisa de ajuda de outras pessoas.

Se conseguir definir bem o seu público é provável que você consiga atingir mais facilmente o grupo 1 e 2, justamente aqueles que precisa daquilo que você oferece e que estão mais facilmente propensos a reconhecer o seu trabalho (inclusive financeiramente falando).

Benefícios de ter um público bem definido

Trabalhando bem o posicionamento você consegue ser relevante e ser lembrado para um determinado contexto com maior facilidade. Significa ter um espaço especial na mente das pessoas específicas que você se identifica, abrindo assim mais oportunidades para sua carreira. Além disso, existem outras razões importantes para fazer essa escolha:

  • Facilita o foco nos estudos
  • Fica mais rápido o processo de ser reconhecido por um determinado público ou temática
  • Menor gasto de energia tanto nos bastidores (estudos) quanto na sua divulgação
  • Mais segurança em saber por onde caminhar, quais estratégias vai implementar
  • Depois que sua comunicação está mais clara é possível mais facilmente ativar os elementos da empatia, conexão e confiança para o seu público
  • Fica mais fácil localizar o seu público com maior precisão seja no off-line como no online
  • Mais pessoas dispostas a pagar um valor diferenciado por compreender que somos a escolha certa para aquela necessidade/contexto

Ou seja, tudo fica mais fluido e simplificado. E ao mesmo tempo com resultados que podem ser mais potentes.

Qual primeiro passo para essa escolha?

Temos diversas possibilidades: crianças, adolescentes, adultos jovens, homens, mulheres, casais, famílias, pais, idosos, mães, gestantes. Se tiver outros que você está se lembrando, pode adiciona na lista.

Reflita sobre essas questões abaixo:

  • Quem é você e quais experiências você acumulou em sua trajetória? É possível ter alguma pista do público através dessa reflexão?
  • Quais são os temas que mais chamam sua atenção? Esses temas estão mais presentes na vida de qual público?
  • Já analisou em qual ciclo de vida do público que você se identifica? São questões que te mobilizam?
  • Escolha, inicialmente 1 ou 2 para ser o seu foco na sua divulgação

Depois desse momento inicial, é hora de fazer algumas pesquisas e testes.

Você NÃO precisa ter uma Persona/Avatar mega específico!

Persona é a representação do seu cliente ideal. Um personagem que pode ser real ou criado, mas que representa exatamente aquele perfil de pessoa que você deseja focar. Apesar do pessoal do marketing tradicional falar tanto nisso, por que definir uma persona pode ser o caminho mais difícil?

  • Por gerar mais a sensação de exclusão
  • Por termos que definir algo muito específico e que realmente não abrande um grupo como um todo e sim uma pessoa
  • Por ter o objetivo da gente mudar completamente a nossa comunicação e jeito para se adaptar ao jeito da persona, o que é uma tremenda falha e um movimento nada sustentável.

Criar um nome, idade, estado civil, cidade e etc., não vai ser o que vai te ajudar nessa caminhada e sim um olhar mais a fundo em você mesma, seus gostos, sua trajetória e seu conhecimento.

Dúvidas frequentes

  • Se eu estabeleço um público específico para minhas redes sociais, então não posso atender mais nenhum outro tipo de demanda/público no consultório?

Você pode sim atender outros públicos e demandas. A sua estratégia é apenas no nível de divulgação e claro de foco nos estudos também, mas se for do seu desejo atender outras demandas e se você se sente preparado para isso, tudo certo. Lembre-se apenas de deixar mais claro na sua comunicação o seu grande foco.

  • É errado excluir certos grupos de pessoas? Com meu trabalho eu posso ajudar pessoas diversas…

Pensado no nível micro (do profissional) você precisa se escutar primeiro. Por exemplo: atender crianças faz sentido com o seu estilo e com a dinâmica que deseja para o consultório? Tudo bem lidar com os pais ou responsáveis? Você sente que isso é algo que ressoa com a sua história de vida também? Se não faz tanto sentido assim você não deve colocar esse público como opção apenas pelo fato de que devemos atender a todos, compreende?

Pensa bem, como você vai fazer um trabalho bacana se não se identifica? Como você vai passar horas estudando sobre vários casos, se não faz sentido por aí? Como ser referência nessas condições?

  • Será que isso não vai me limitar? Posso perder oportunidades tendo um foco tão específico.

Você não está se limitando. Está na verdade se conectando com as “pessoas certas”. Não agradamos a todos… E mesmo que você goste de vários temas e públicos, sempre tem um ou dois que te chama mais atenção ou que se conecta mais com as suas próprias vivências. Por que não dar foco nisso?

Um dos nossos grandes medos é achar que estamos perdendo oportunidades nos restringindo com um público específico. Na realidade, se focarmos em ser “o melhor” em determinado contexto, estaremos na mente do nosso público. Ou seja: foque em ser excelente e se comunicar com as pessoas “certas” que vão reconhecer o seu trabalho porque se identificam antes de mais nada com você!

  • E se eu quiser mudar?

Seu público alvo não é um casamento que precisa durar a vida inteira. Existem momentos em nossa vida que um certo público ou tema nos mobilizam muito mais. O posicionamento não é algo que não pode ser mudado, porém é preciso apostar todas as fichas por um determinado tempo (diria alguns meses) para realmente tirar a prova do que faz sentido e do que traz resultados.

Fecho esse conteúdo afirmando algo que aprendi nessa trajetória empreendedora: Empatia e conexão são as palavras de ordem aqui. Tanto para quem te segue, quanto para você. Se conectar com as pessoas que buscam seus serviços é maravilhoso e deixa nosso servir mais leve.


Fez sentido? Compartilha com um colega que pode estar meio perdido com esse tema 🙂

Ana Cecília Coelho

Ana Cecília Coelho

Mentora e psicóloga
Romae